Esta seção analisa as estratégias que visam a passagem da liderança tradicional para a adoção da liderança em sustentabilidade na hotelaria, juntamente com os desafios potenciais que essa mudança pode apresentar. Delineia estratégias práticas de gestão para enfrentar e superar esses desafios, com base na pesquisa de Shriberg e MacDonald (2013). O foco é fornecer passos acionáveis para que os líderes de hospitalidade integrem práticas sustentáveis na sua abordagem de liderança de forma eficaz.
Estabelecer metas claras, específicas e mensuráveis é primordial em programas de liderança em sustentabilidade. As organizações são aconselhadas a definir os seus objetivos de forma alinhada com os seus valores, fornecendo um plano para a integração bem-sucedida da sustentabilidade nas várias facetas das suas operações.
Desafio e Estratégia de Gestão: O processo de estabelecimento de metas claras é muitas vezes alinhado com o desafio de agregar vários interesses e perspetivas organizacionais. Para gerir todos estes aspetos, é crucial o envolvimento numa análise abrangente das partes interessadas para entender as expectativas e preocupações de todas as partes envolvidas. Para tal, realizam-se workshops facilitadores que visam não só definir objetivos de sustentabilidade, mas também traçar os caminhos estratégicos para os alcançar. Tais workshops podem servir como uma plataforma para o diálogo, garantindo que os objetivos estabelecidos sejam não apenas claros e mensuráveis, mas também apoiados por uma ampla base de partes interessadas dentro da organização.
De acordo com os investigadores, a implementação de métodos educacionais eficazes é crucial para transições de sustentabilidade bem-sucedidas. As organizações são incentivadas a empregar abordagens inovadoras e envolventes, como workshops e programas de formação, para garantir que os colaboradores, em todos os níveis da hierarquia da organização, compreendam e apliquem os princípios de sustentabilidade. Este ponto baseia-se na ideia de que o grupo só pode ser bem-sucedido, se todos forem. Sem a cooperação dos colaboradores, os gestores nunca conseguirão permitir a transição.
Desafio e Estratégia de Gestão: A eficácia dos programas de educação para a sustentabilidade é muitas vezes prejudicada pela falta de envolvimento ou importância dada às funções dos colaboradores. Para contrariar esta situação, as organizações devem adotar uma abordagem de aprendizagem mista que combine módulos online para conhecimento teórico com sessões de formação presenciais que se concentrem em aplicações práticas. A interpretação de papéis e a aprendizagem baseada em cenários podem ser particularmente eficazes para ajudar os colaboradores a compreender o impacto das suas ações nos objetivos de sustentabilidade. Além disso, os programas de mentoria podem unir colaboradores menos experientes com peritos em sustentabilidade dentro da organização, promovendo uma cultura de aprendizagem contínua e partilha de conhecimento.
A pesquisa também destaca a importância de aprender com os melhores. Sugere que as organizações devem olhar para o que todos os programas sustentáveis bem-sucedidos estão a fazer corretamente e adotar esses métodos. Isso inclui aspetos como envolver as partes interessadas de forma eficaz e sempre tentar melhorar (melhoria contínua). No entanto, cada organização é única e, portanto, a integração das melhores práticas na liderança em sustentabilidade pode ser completamente diferente para duas organizações distintas. Assim, é importante que as melhores práticas escolhidas estejam alinhadas com a visão da organização.
Desafio e Estratégia de Gestão: O desafio na integração das melhores práticas muitas vezes decorre da síndrome do “não queremos invenções aqui”, onde há resistência em adotar práticas vistas como externas à organização. Para superar isso, é benéfico criar um ambiente de “laboratório de aprendizagem” dentro da organização, onde as equipas possam experimentar essas práticas em pequena escala antes de uma implementação completa. Esta abordagem permite a personalização e adaptação das melhores práticas de uma forma controlada e gerida pelo risco. Além disso, envolver os colaboradores no processo de adaptação pode ajudar a mitigar a resistência, dando-lhes um sentimento de propriedade sobre as iniciativas de sustentabilidade.
A cultura organizacional, definida como um conjunto de valores, crenças e práticas partilhadas dentro de uma organização (Bellot, 2011), é um catalisador crucial para a transição da liderança tradicional para a sustentabilidade. Esta influência decorre do forte impacto que a cultura organizacional tem em vários aspetos da dinâmica organizacional.
Em primeiro lugar, a cultura organizacional influencia significativamente os processos de tomada de decisão. Portanto, quando a sustentabilidade está enraizada na cultura de uma organização, os líderes tendem a priorizar a responsabilidade ambiental e social de longo prazo sobre os ganhos de curto prazo. Este tipo de alinhamento cultural afeta a tomada de decisões em todos os níveis organizacionais, de uma forma que, em última análise, facilita a adoção de uma abordagem de liderança sustentável durante a transição.
Seguidamente, uma forte cultura organizacional incentiva o envolvimento e o comprometimento dos colaboradores, ingredientes necessários para a transição para a liderança em sustentabilidade. Ou seja, quando a sustentabilidade faz parte da cultura da organização, é mais provável que os colaboradores se identifiquem e apoiem os objetivos de sustentabilidade.
Além disso, a liderança em sustentabilidade opera numa relação simbiótica com o envolvimento das partes interessadas, e a cultura da organização desempenha um papel fundamental na formação dessa dinâmica. O grau de envolvimento das partes interessadas está intrinsecamente ligado à cultura organizacional. Por exemplo, uma cultura que valoriza a sustentabilidade naturalmente alinha-se com as expectativas dos clientes, investidores e da comunidade em geral. Este alinhamento não só melhora a reputação da organização, mas também fortalece as relações com as partes interessadas. É importante realçar que esse envolvimento fortalecido com as partes interessadas, por sua vez, torna-se um fator de reforço, solidificando ainda mais o compromisso da organização com a liderança em sustentabilidade. Como tal, uma cultura de valorização da sustentabilidade dá o mote para um maior envolvimento das partes interessadas e, à medida que as relações com as partes interessadas se fortalecem, elas, permitem o caminho da organização em direção à liderança em sustentabilidade, criando um ciclo contínuo e que se reforça mutuamente.
Por fim, uma cultura organizacional que incentive a inovação e a adaptabilidade é crucial para a liderança em sustentabilidade. As práticas sustentáveis exigem frequentemente soluções criativas e vontade de se adaptarem às condições ambientais e sociais em mutação. Uma cultura organizacional que reconhece a importância da inovação cria um ambiente onde líderes e colaboradores são mais propensos a explorar e implementar soluções sustentáveis.
Desafio e Estratégia de Gestão: A mudança na cultura organizacional para se priorizar a sustentabilidade enfrenta, muitas vezes, resistência devido a comportamentos e valores anteriormente enraizados. Uma estratégia para gerir isto passa por integrar a sustentabilidade nos valores fundamentais e indicadores de desempenho da organização. Isso significa não apenas celebrar as conquistas de sustentabilidade, mas também responsabilizar as equipas e os indivíduos pelo seu desempenho em sustentabilidade. O coaching de liderança pode dotar os gestores com as competências para liderar essa mudança cultural, enfatizando o papel dos líderes como agentes de mudança que podem inspirar e motivar as suas equipas por meio de comunicação clara, reconhecimento e liderança pelo exemplo.
Para além destas estratégias, é essencial que as organizações incentivem um ambiente de comunicação aberta onde o feedback seja ativamente procurado e posto em prática. Isso pode ajudar a identificar rapidamente qualquer resistência ou desafio à medida que estes surgem, permitindo ajustes oportunos em estratégias e planos. Por exemplo, relatórios regulares de sustentabilidade em toda a organização também podem manter todos os colaboradores informados sobre o progresso, reforçando a importância das metas de sustentabilidade e reconhecendo as conquistas coletivas na concretização desses objetivos.
